O Azul do Céu Não é o Mesmo para Todas: O que a Maturidade me Ensinou Sobre Perspectiva

Um domingo de manhã, o tapete de yoga estendido no quarto e um momento de pausa. Olhei pela janela. O dia que havia amanhecido com o céu azul já estava cinza, tomado por nuvens espessas.

Por décadas, eu acreditei que precisava seguir o fluxo dos outros. Cresci ouvindo que o dia só é belo quando o sol brilha forte. É isso que lemos nos livros, o que vemos postado nas redes sociais. Repare: você já viu a foto de um céu fechado com a legenda “Que dia lindo!”? Quase nunca.

Libertando-se das expectativas

Mas hoje, nesta fase da vida onde a maturidade nos dá a liberdade de sermos quem somos, preciso confessar: gosto muito do céu nublado.

Lembro-me de ter visto, apenas uma vez na vida, a cena de uma novela japonesa na qual a protagonista dizia à amiga: “Eu prefiro o céu cinza ao azul“. Aquilo ecoou em mim. O tom cinzento me traz vigor. Dá-me um ânimo profundo para realizar, criar e internalizar.

Parafraseando uma psicoterapeuta que admiro muito: “por favor, me vejam com bons olhos”. O azul do céu não é o mesmo azul para todo mundo. Cada uma de nós enxerga a vida através das suas próprias lentes e vivências.

A impermanência das coisas

Permita-me também lembrar uma expressão muito utilizada pela Monja Coen: “não há nada fixo, nem permanente”.

Assim, reflito: o céu muda, a estação muda e nossa fase da vida também muda.

O dia passa exatamente no mesmo ritmo para quem ama o azul e para quem encontra paz no cinza. A grande sabedoria desta jornada da maturidade é aprender a contemplar o belo em cada nuance da vida. Goste ou não da cor do dia, o milagre está em saber viver o agora.

Olhando para a sua trajetória até aqui… quantas vezes você já se cobrou para sorrir em dias de sol, enquanto tudo o que sua alma pedia era o acolhimento de uma manhã cinzenta e silenciosa? Que tipo de ‘dia nublado’ na sua vida hoje te traz o verdadeiro vigor para recomeçar?

Deixe o seu comentário aqui embaixo. Vamos criar um espaço nosso para desarmar as expectativas do mundo e acolher a nossa própria beleza.


Ayumi

Minhas raízes se nutrem da tradição e dos valores que herdei como nissei, mas o meu “eu” de hoje se projeta de forma livre e global rumo a um mundo sem fronteiras. São 54 anos de histórias, mas sinto que o capítulo mais bonito começou a ser escrito agora. Há pouco tempo, senti um chamado sutil, mas persistente: a urgência de viver com mais essência, verdade e presença. Este blog é o espelho desse despertar e desse olhar para dentro. Compartilho aqui a minha busca por equalização e a bagagem de uma mulher madura que descobriu no autoconhecimento uma jornada sem fim. Aqui, falo sobre maturidade, propósito e a coragem de recalcular a rota quando o coração pede. Espero que minhas vivências tragam insights para o seu próprio despertar. Sente-se, pegue um chá (ou um café) e fique à vontade. Este espaço também é seu.

Este post tem 4 comentários

  1. Gesa pinheiro

    Ayumi,gosto do sol do céu de Brigadeiro, más para admirar.Para sair resolver assuntos fora de casa ,prefiro o céu cinza .Me dar más disposição.

    1. Ayumi

      Agradeço imensamente o seu comentário tão genuíno e por abrir o seu olhar comigo. Fico encantada em ver como esse espaço me permite conectar com pessoas tão diversas e especiais. Cada “conversa” aqui é um aprendizado único. Um forte abraço, Gesa.

  2. Valmirete Freitas

    Agradecida Ayumi por nós presentear com conteúdo tão rico!
    Sou grata a Deus por ter te encontrado nesta multidão de seres humanos!

    1. Ayumi

      Você não imagina como é bom receber um feedback seu. Sinto-me honrada em receber palavras de uma pessoa que está, assim como eu, no desafio de um novo aprendizado, mas cada uma com o seu ritmo. (Mas acho que o frio na barriga é o mesmo…) Gratidão, Val.

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